terça-feira, 2 de setembro de 2008

Sobre simulações como ferramenta educacional

Um argumento de autoridade a favor da prática simulada como ferramenta pedagógica:

A experimentação e o método científico pode, ser ensinados em muitas outras disciplinas além da ciência. Daniel Kunitz é um amigo dos meus tempos de universidade. Passou a vida fazendo um trabalho inovador como professor de ciências sociais nos dois últimos anos do curso secundário. Os alunos querem compreender a Constituição dos Estados Unidos? Podemos lhes dar a tarefa de ler a Constituição, artigopor artigo, e depois discutir em aula - mas, lamentavelmente, isso fará a maioria dos estudantes cair no sono. Ou podemos tentar o método Kunitz: proibimos os alunos de ler a Constituição. Em vez de leitura, determinamos que participem de uma assembléia constituinte, dois para cada estado. Damos informações detalhadas a cada um dos treze grupos sobre os interesses particulares do seu estado e região. A delegação da Carolina do Sul, por exemplo, seria informada da primazia do algodão, da necessidade e da moralidade do tráfico de escravos, do perigo representado pelo Norte industrial, e assim por diante. As treze delegações se reúnem e, com um pouco de ajuda dos professores, mas principalmente por sua própria conta, redigem uma constituição em algumas semanas. Só então lêem a Constituição real. Os estudantes reservaram os poderes de declarar guerra ao presidente. Os delegados de 1787 atribuíram esses poderes ao Congresso. Por quê? Os estudantes libertaram os escravos. A constituinte original não o fez. Por quê? Isso requer mais preparação da parte dos professores e mais trabalho da parte dos alunos, mas a experiência é inesquecível. É difícil não pensar que as nações da Terra estariam em melhor forma se todo cidadão passasse por algo semelhante.
- Carl Sagan, O mundo assombrado pelos demônios


O comentário em si já dá margem a várias análises modeleiras, não? Também pode ser útil naquele projeto que precisa ser apresentado pra coordenação de curso, pra pedir ajuda de custo pra viajar, ou até mesmo convencer seus pais que você não está perdendo tempo, está é salvando o mundo.

Mais outro post sobre Carl Sagan virá em breve! ;)

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Quadro de medalhas: quem é a melhor delegação?

"Aí ele propôs uma emenda desse tamanho!"

Com os Jogos Olímpicos de Pequim acabando, a maioria deve ter se deslumbrado com o crescimento da China e a evolução de seu desempenho desde os últimos jogos. Enquanto nós brasileiros ficamos sonhando em ter um Phelps, a China conseguiu ser a terceira nação a superar as 50 medalhas de ouro, fato somente alcançado anteriormente pelos Estados Unidos e União Soviética/Rússia. E os seguidores de Mao não só entraram no clube como pegaram a mesa principal: A China fechou os jogos na primeiríssima posição, desbancando os norte-americanos e os russos. Ao menos é isso que eles acham. Nós também. Os americanos não. E o COI diz que não tem nada a ver com isso. Enquanto isso, o Comitê Olímpico Brasileiro esclarece: essa foi a melhor campanha da história olímpica do Brasil. "Como assim?", deve pensar o amigo modeleiro. E o que isso tem a ver com a Modelândia?

É tudo uma questão de contorcer os números e colocar em evidência o que é mais importante, o grupo ou o indivíduo.

O prêmio de Melhor Delegação existe na maioria dos modelos (com exceção do TEMAS ou outros modelos nos quais o conceito de "delegação" não se aplique), e busca, em tese, premiar a melhor delegação daquela conferência. O quê exatamente torna uma delegação a Melhor, é o que trataremos neste post. Na award policy do AMUN encontramos que:
"A 'Best Delegation' award will also be given during the Closing Ceremony. This choice will take into account several factors, including: cohesiveness of the delegations, delegates' individual performances, fidelity to the represented country's image and foreign policy, and member delegates' participation and behavior – individually and as a group – at all times during the five days of the conference."
Por sua vez, o UFRGSMUN afirma que:
"For delegations awards, the individual performances of the delegates will be analyzed from a collective perspective, with regard to the delegation's cohesion and coherence."
A SOI não possui uma política expressa de premiação em seu site desde 2005, quando dizia, de forma extremamente genérica que:
"Adicionalmente, é conferido à delegação que mais se destacou em todos os comitês o prêmio de Melhor Delegação, em uma escolha feita por decisão colegiada de toda a organização do evento."
Essas definições já bastam para aduzirmos algumas características das premiações de melhor delegação: Analisando os conceitos da SOI e do URFRGSMUN, vemos que é uma decisão tomada de forma coletiva ou colegiada. O AMUN não se pronuncia se adota prática semelhante, tampouco esses dois modelos explicitam como seria essa decisão coletiva (por todos os membros do Staff? membros do secretariado? somente diretores administrativos?). A definição da SOI (que eu acho que fui que que escrevi, então digo logo que é culpa minha) não traz muita informação sobre quais os atributos analisados, coisa que as definições do UFRGSMUN e AMUN elaboram melhor. Os gaúchos destacam a coesão e coerência, enquanto o AMUN ainda observa o comportamento dos delegados e seu desempenho individual ao longo de todo o evento.

Prêmios de Melhor Delegação podem ser extremamente contestados, mas gostaria de concentrar a discussão além da subjetividade inerente ao prêmio, muitas vezes considerado até político demais, mas na natureza dessa premiação. O que se busca realmente premiar, quando se confere a uma delegação esse título tão prodigioso? Na minha visão existem duas alternativas: Premia-se o conjunto de melhores delegados ou o melhor conjunto de delegados. A diferença é sutil, e vai bem além da semântica.

O primeiro caso acontece quando a escolha se dá contabilizando qual das delegações possui mais delegados com desempenho individual de destaque. É o que sugere parte da definição brasiliense: a delegação composta pelo maior número de Phelps é a melhor delegação, é o time com craques, que são premiados em seus respectivos comitês. Calcula-se então pelo número de medalhas de ouro. Quem tiver mais medalhas de ouro, leva o Best Delegation/Melhor delegação. É o sistema adotado na maior parte do Brasil atualmente.

A alternativa seria a premiação dada à melhor equipe, o melhor conjunto. Ser o melhor conjunto é justamente como em esportes de equipe como futebol ou vôlei, ter a maior estabilidade e confiabilidade. O futebol, por exemplo, é farto em exemplos de equipes estreladas que se transformam em um apagão. Cada um brilha por si, mas juntos não iluminam ninguém. Muitas vezes uma equipe mais modesta, mas mais coesa e constante pode conseguir um resultado bem mais satisfatório que seus oponentes. Este é, na minha opinião, o sistema que premia quem realmente merece.

A premiação através da coletânea dos melhores delegados é uma convenção preguiçosa que insistimos em manter, mas contradiz o próprio espírito das simulações. Nós, ao buscar a excelência acadêmica, devemos premiar aqueles que a atingem na representação da sua delegação. Em uma análise coletiva, é imperativo que se analise o que cada elemento do grupo conquistou. Como todos sabemos, relações internacionais não são formadas por eventos isolados, mas por uma realidade em que fatos convergem e influenciam diversas áreas ao mesmo tempo. Uma delegação que teve 75% de sua representação brilhante mas uma parcela irreconhecível jamais deveria ser premiada, não importando que o resto tenha feito um trabalho excelente. Aquele delegado que pisou na história e tradição de sua nação comprometeu seus esforços diplomáticos, aquele Estado saiu daquela conferência com uma representação irregular. Por mais que isso possa acontecer na vida real, lá não há prêmio. E, se houvesse, creio que deveria ser concedido às nações que avançaram menos, mas avançaram sempre. Passos pra frente, nenhum passo pra trás.

Deixando minha opinião de lado por um instante, o que existe é o mesmo dilema do quadro de medalhas das Olimpíadas. Vários veículos midiáticos norte-americanos colocaram os Estados Unidos no topo do ranking por ter um número maior de medalhas no geral. O resto do mundo, basicamente, colocou a China, considerando que o ranking é medido pelo número de medalhas de ouro. Qual a grande diferença, além do resultado? O primeiro critério considera que medalhas tem um valor aproximado, independente de suas cores. O segundo afirma que a melhor delegação olímpica é aquela formada pelo maior número de delegados campeões, esportistas em destaque.

A diferença entre o exemplo olímpico e a modelândia é que no caso esportivo não se exige coerência com a delegação. A competição olímpica é de caráter eminentemente individual (salvo no óbvio caso dos esportes coletivos). Nas olimpíadas o seu desempenho não tem rigorosamente nada a ver com o de um atleta de outra modalidade, e seu único vínculo são as cores de sua bandeira e, provavelmente, o bloco de carnaval que vocês desfilam na cerimônia de abertura e encerramento. Ao meu ver, é forte o argumento pelo qual os jogos olímpicos ressaltam a importância de se competir, não de ganhar. Logo, a delegação que participou de mais pódios competiu mais e melhor do que aquela que compareceu menos, mesmo que no lugar mais alto mais vezes. Mas na modelândia, esse argumento é incisivo e, ao meu ver, definitivo: a delegação possui um vínculo de coletividade que ultrapassa o bom desempenho individual. As cores da bandeira que enfeitam broches de lapela unem todos os delegados em um trabalho de equipe que deve ser estimulado, inclusive através dos prêmios. Precisamos avançar do método de premiação matemática que diz que a melhor delegação é aquela que ganhou mais prêmios. A melhor delegação é aquela que representou melhor os interesses do seu país em TODA a conferência. Onde esteve presente, foi bem representada.

Se essa meta é difícil de ser mensurada, aí são outros quinhentos. O que importa é repensar nossos conceitos e enfrentar a realidade que, se queremos formar boas delegações, e de fato estimular as habilidades de trabalho em equipe que buscamos, é o caminho a se seguir.

Uma das primeiras histórias que ouvi, na minha infância modeleira, foi sobre como dois delegados da UFRN conseguiram, certa vez, em um AMUN agora longínquo, fazer dois unmoderated caucuses em seus comitês ao mesmo tempo para negociar simultâneamente entre os dois comitês. Então dois comitês separados viraram comitês em dupla, por um breve espaço de tempo. Certas concessões e negociações foram feitas de forma conjunta, cedendo aqui pra ganhar ali. Como poderiamos favorecer essas práticas? Precisamos inventar novos instrumentos pra favorecer o verdadeiro trabalho de equipe? Ou será que caminhamos rumo ao domínio dos Galácticos?

Já dei minha opinião. E vocês, o que acham?

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Como (não) acabar com seu modelo

- This is the end. My only friend, the end...

Tendo em vista que que os encerramentos em modelos brasileiros têm sido verdadeiras epopéias - dá pra ler os Lusíadas inteiro durante um encerramento médio de modelo - resolvemos reunir algumas dicas para realmente ACABAR com seu modelo, pra não ficar nenhum delegado reclamando (nem presente). Afinal, um dos (muitos) lemas deste blog é "se for fazer, alopre!".

1 - Quem se importa com horário?
Que é isso gente, isso é Brasil. Ninguém faz nada na hora mesmo. Marque o encerramento pras 15 horas, mesmo sabendo que a metade dos comitês não vai acabar a tempo. É bom que força o povo a dar uma acelerada básica. E se atrasar um pouquinho, não tem problema nenhum, já que o Staff ainda vai estar fazendo os prêmios na hora, é bom que dá uma enrolada básica. Conscientize-se, isso é Brasil.

2 - Essas são suas 8 horas de fama, abra o seu coração!
Vamos lá, você passou meses trabalhando por esse modelo, gastando tempo, dinheiro, ignorando sua família, seu namoro, seus amigos, a Igreja, o Greenpeace, o clube de futebol, a África, a novela e tantos assuntos tão importantes! Nada mais justo que agora, tendo alcançado o cume, você possa olhar pra baixo e despejar torrentes de amargura que inundam seu coração. Fala que o auditório todo te escuta. Pode contar das pessoas que não acreditaram em você, da labuta diuturna incessantemente travada, daquele dia que vocês foram comer pizza e o pneu furou. Fique à vontade, tá todo mundo aí, assistindo, feliz da vida, só por causa do seu trabalho. Ilumine-os com a beleza do seu coração, todos te amarão ainda mais. Ah, e se sentir uma vontade incontrolável de chorar, chore. Chore muito. Todos se sensibilizarão com suas lágrimas e se juntarão a você em imenso abraço coletivo de congratulações mútuas e declarações pungentes. Não há vergonha em ser emo!

3 - A beleza das coisas está nos detalhes.
Você sabia que o papel da capa do guia de estudos tem gramatura 25? Você sabia que quase só colocou Eslováquia em vez de Eslovênia naquele comitê porquê a bandeira é mais bonita? Não sabia? Não acredito, como você vivou sem saber disso! Todo mundo sabe que delegados ADORAM saber detalhes, especialmente os administrativos. Organize uma agenda com todos os afazeres logísticos de todos os dias de simulação para, ao final, gloriosamente, declamá-los em redondilhas serenas. A galera irá ao delírio. Pessoal do acadêmico: fale sobre o intenso processo de correção dos guias! Vamos transformar o Grand Finale em um Very Best, Greatest Hits E Making Of ao mesmo tempo! Aproveite seu discurso bem para fazer os delegados se sentirem em casa, tenho certeza que será uma experiência extasiante.

4 - A retórica como uma arma de destruição em massa.
Prepare seu discurso de encerramento com meses de antecedência, só pra chegar no dia jogar tudo fora e dar vazão ao seu coração (vide tópico 2). Mas se mesmo assim você ainda lembrar de algo que originalmente iria dizer, aqui vão algumas sugestões: não esqueça de agradecer a todos os membros da organização um por um (afinal, como mais eles saberiam que você aprecia seu trabalho?) Cada discurso deve agradecer a todos os membros da (imensa) mesa, a Deus, a Xenu, ao Modeleiro Original e a todos os santos da Igreja Católica (nominalmente e em ordem cronológica, pelo dia do ano), não vamos fazer desfeita com ninguém. O discurso nunca poderá ser preso pelas amarras da contingência: se você tem algum ideal ou idéia que não seja diretamente vinculada ao modelo, não tem problema, todos vão entender. Mais uma razão pra você falar, ninguém tá nem aí pra isso mesmo, agora sim, todos vão mudar suas vidas! Aproveite o ensejo e difunda suas convicções políticas, sociais, sexuais e alimentares, só assim viveremos em uma sociedade mais aberta. Cada diretor de cada comitê deve falar, dando sua visão particular desse evento tão multi-facetado que é uma simulação das Nações Unidas. Garanto que após todos esses cuidados, ninguém vai resistir: a platéia estará aos seus pés.

5 - "O que é, o que é, vota com os Estados Unidos e só abstém se quiser?"
Todos adoram jogos, essa é uma verdade universal inquestionável. O ser humano tem uma necessidade inerente por atividades lúdicas. Assim, aproveite a hora dos prêmios pra fazer um joguinho adorável cujos participantes serão centenas de delegados empolgadíssimos! Funciona assim: Vai lá o diretor entregar o prêmio. Ele pega o certificado, faz uma cara de mistério e começa a descrever o delegado premiado: "Ele foi muito importante pro comitê, trabalhou com afinco na redação de documentos e cumpriu bem sua política externa". Aí rola aqueles 5 minutos pra galera conjecturar. Notavelmente, 10 delegados do comitê se acham presidenciáveis, a corrida é dura mas tá todo mundo no páreo. O diretor quebra a tensão se aproximando do microfone enquanto olha pro certificado pra tentar ler aquele nome completo tão estranho, diferente de "Suazilândia" pelo qual o delegado é conhecido. Silêncio sepulcral. Mais 5 minutos de consultas. Então o diretor fala o resultado, e todo mundo fica feliz! É só repetir isso com cada prêmio em cada comitê, assim teremos mais de 40 rodadas do jogo e todo mundo vai ter sua chance de ser presidenciável e conjecturado! O modelo vai quase-premiar quase todo mundo! Somos todos campeões! É quase um Amigo Secreto/Oculto, só que Amigo Premiado!

6 - Uma só voz, um só coração, uma só mensagem
Finalmente, uma coisa que você jamais deve esquecer. Enfatize a cada instante possível, nem que seja entre dois espirros da pessoa que está discursando, que foi um prazer estar com todos, que os delegados são o máximo, que as discussões foram um sucesso, que Ronaldo está magro, que a economia vai bem, que a Rússia não tem intenções imperialistas, que espera ver todos de volta e que é muito bom mudar o mundo. Lembre-se, repetindo sempre, a cada instante, você fixará essas verdades universais no subconsciente do seu eleitorado modeleiro. Todos estarão de volta ano que vem, sedentos por mais pedaços de otimismo, em um mundo tão sombrio e entediante. Faça o teste!

Delegados DURANTE o encerramento do ModeleiroMUN

Por enquanto é só, pessoal. Essas foram apenas algumas dicas de como acabar BEM com o seu modelo. Terminar em alto estilo e fazer questão de não deixar pedra sobre pedra. Se você tiver mais sugestões, pode falar! Se você adorou as sugestões e quer ainda mais, veja os comentários! Ou simplesmente repita essas dicas. Pode ter certeza que seu modelo será lembrado por um bom tempo!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Os tipos da Modelândia

Após o último post do Artur sobre o que são erros e o que não são, conversamos um pouco pelo MSN sobre estilos de simular e modelar e como isso também leva a interpretações diferentes daquilo que é certo ou errado.


Conversa vai, conversa vem, chegamos a uma série de tipos weberianos de modeleiros, com comportamentos orientados de acordo com uma certa visão de mundo ou de trabalho e definidos de acordo com a nossa experiência coletiva em outros modelos. Provavelmente há outros tipos, e gostaríamos de ouvir de vocês leitores se acertamos na mosca, se erramos ou se falta algum tipo. Vale dizer também que um delegado nem sempre é de um único tipo, pois eles não são mutuamente excludentes (salvo pelos tipos Revisionista e Purista, que o são por questões lógicas).


Cada um dos tipos pode ser mais ou menos participativo, mais ou menos agressivo, mais ou menos negociador, mais ou menos tagarela. Os tipos estão principalmente relacionados aos objetivos que um indivíduo tem quando vai a uma simulação e não aos meios que ele usa (embora no último tipo, o Competidor, esta divisão seja bem tênue).



power_rangers 1.jpg


Tipo 1: Burocrata


Este é o tipo de delegado(a) que se preocupa em seguir à risca sua política externa e as formalidades da apresentação desta política, muitas vezes discutindo e se portando de forma mais próxima à de um burocrata, sem os theatricals costumeiros de alguns outros tipos de modeleiros. É, de certa maneira, o tipo mais conservador de delegado, talvez o mais comum (quem ainda não conhece os meandros da Modelândia preferirá manter as coisas simples, também).


Tipo 2: Bom-Mocista


O(A) delegado(a) bom-mocista se preocupa mais com o bem maior da coletividade em detrimento dos interesses individuais da nação representada. É um tipo bastante comum em comitês direcionados para questões de desenvolvimento ou direitos humanos. Sua atuação costuma uma das manifestações mais comuns de opiniões pessoais se sobrepondo aos interesses nacionais.


Tipo 3: Resolucionista


Abordado anteriormente neste blog, o resolucionista é o tipo de delegado que quer porque quer que uma resolução sobre o tópico seja aprovada a qualquer custo, mesmo que isto signifique sacrificar interesses importantes. É o único tipo que se aplica também a diretores.


Tipo 4: Materialista


O materialista é aquele que busca de alguma forma um resultado concreto ou material para os tópicos sendo discutidos. Declarações, resoluções e acordos de cavalheiros não bastam: tem que ter algum resultado real. O tipo inclui principalmente aqueles convictos em criar um fundo ou comissão ou grupo que deva analisar a questão sendo discutida. Também se incluem aqui aqueles delegados que querem fazer contribuições de tropas ou fundos para uma determinada missão. De certa forma é um resolucionista mais específico, mas nem sempre precisa ser.


Tipo 5: Sofista


O principal objetivo do delegado sofista é provar que ele e seus argumentos estão corretos. Não importa se isso significa aprovar algo ou travar o debate, ser agressivo ou ser pacifista; o objetivo do sofista é provar que o resultado que ele está propondo é o correto para seus interesses e para o dos demais. É um tipo complexo de delegado pois inicialmente ele pode ser qualquer dos outros tipos; sua característica principal é a persistência em conseguir o resultado desejado.


Tipo 6: Purista


Um tipo muito mais visível em simulações de situações históricas, o purista é o que se preocupa em repetir aquilo que acontece ou aconteceu na vida real por acreditar que qualquer outro resultado seria implausível e, portanto, descaracterizador de uma verdadeira simulação. Desta forma, ele resolve play by the book apenas, simulando em um sentido bastante estrito, por assim dizer.


Tipo 7: Revisionista


Da mesma forma, há também o tipo de delegado que quer tudo menos repetir a história. O delegado fará tudo ao alcance de sua representação para justificar decisões que foram diferentes do que aconteceu ou acontece na vida real, buscando manter-se ainda no campo da plausibilidade ao fazê-lo. Embora muitas vezes isso possa ser feito de maneira aceitável, o potencial para desvios muito grandes da realidade é considerável, fazendo de um revisionista descuidado um tipo perigoso para simulações históricas.


Tipo 8: Competidor(a)


Um tipo aplicável principalmente a modelos que possuam prêmios para conceder. O delegado competidor faz uso de truques e métodos que têm como único objetivo o ganhar um prêmio. Embora em muitas medidas se confunda com um vendido clássico, lembremos que o vendido não é necessariamente um tipo de delegado, mas sim um método ao alcance de qualquer dos tipos acima. O competidor, de certa forma, aperfeiçoou (ou incorporou) a vendidagem de tal maneira que ela se tornou um fim em si mesma, fazendo com que os objetivos tradicionais de uma simulação se percam em detrimento do desejo pelo prêmio.


Evidentemente, esta lista não é fechada, nem definitiva; queremos saber das suas opiniões também - se concordam ou discordam com as definições, se falta algum tipo... Mandem bala!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

A insondável arte do position paper

Modeleiro nenhum pode escapar do momento de redigir o position paper (vulgo PP, ou documento de posição oficial, DPO) de seu país, logo antes da simulação. Para a maioria dos delegados, escrever um PP é um tédio. Algo enfadonho e repetitivo, no máximo um mal necessário.

O que pouca gente sabe é que é possível ser criativo e até engraçado na produção destes documentos diplomáticos. Como Representatives of the World vai provar agora, a escrita de um position paper também pode ser divertida! Mostrarei dois exemplos.

O position paper genérico

O carioca Chico Dudu, que ao inventar o termo “vendido” em 2003 entrou automaticamente para o rol das lendas da Modelândia, também criou uma das mais úteis ferramentas para o modeleiro contemporâneo: o position paper genérico. Como o nome sugere, era um documento de posição absolutamente vago, que não dizia nem contradizia nada. Mais diplomático, impossível.

Creio que o position paper genérico do Chico Dudu se perdeu no pântano da aposentadoria modeleira, mas eu li a versão original há alguns anos e resolvi escrever algo parecido. Se você quer estar pronto para representar qualquer país, em qualquer comitê, com qualquer agenda, seu position paper deve ser mais ou menos assim: (cliquem para ler)

Position paper genérico

O position paper arcano

Uma solução menos picareta do que o position paper genérico, mas igualmente divertida, é o PP arcano. Se você não quer que os outros delegados entendam a posição do seu país, basta inundar o documento de adjetivos e citações incompreensíveis e supérfluas em latim, francês ou inglês arcaico.

Exemplo: no WorldMUN do ano passado, ao receber a incumbência de representar um país inerentemente absurdo (ie, Liechtenstein), decidi radicalizar e escrever um PP indecifrável que imita a linguagem diplomática medieval e um humor no estilo Monty Python. Estou com preguiça de traduzir o texto, e em português ele perderia parte da graça, então vai o original em inglês mesmo. Vejam aqui:


Position paper arcano 1
Página 1

Position paper arcano 2Página 2

Existem muitos outros tipos de position paper que fogem do óbvio e tornam a vida dos diretores um pouco mais alegre. Alguém pode citar algum? Respondam pelos comentários.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Os erros que não julgamos ser


A prática modeleira é carregada de juízos de valor. Na argumentação, você deve submeter toda informação apresentada ao crivo do bom-senso e da verdade fática - ou simplesmente ignorá-los, se esta for sua política externa. Você - salvo na exceção que mencionei - deve estar atento pra discernir as falácias das afirmações dignas de crédito, assim como precisa avaliar estratégias e os seus opbjetivos. Tudo faz parte do imenso pacotão analítico que faz parte da rotina do modeleiro. É uma das maiores vantagens do hobby: com algum tempo você supostamente não consegue mais ouvir balela à toa. Supostamente. E nem sempre é à toa.

No meio desse jogo dialético de informação e retórica, às vezes podem acontecer erros. Nós podemos falhar na nossa triagem de argumentos e deixar passar alguma bobagem discreta - ou até flagrante, só habilmente disfarçada - no projeto de resolução. Mesmo que modeleiros sejam econômicos em mea culpas, todos sabem que isso acontece SEMPRE, em qualquer atividade profissional. Ninguém acerta sempre, e quando você é submetido a 50 argumentos numa tarde, é normal que não dê a devida atenção a um ou dois. O motivo pelo qual modeleiros muitas vezes se mostram indispostos admitir o erro não podemos dizer com certeza, mas eu mesmo tenho algumas teorias.

I - "Esconde e Reza" - O delegado não deseja chamar a atenção pra um erro que os outros podem ainda não ter notado.
II - "Tá comigo tá com Deus" - O delegado não deseja macular sua aparência de correição, julgando que um erro poderia afastar apoiadores e suas idéias no futuro da simulação.
III - "Dele-Goebbels" - Uma bobagem repetida eventualmente vai fazer sentido pra alguém.
IV - "Tudo pelo Prêmio" - O delegado sabe que se a Mesa descobrir que ele errou seu Prêmio fica mais difícil. Como ela raramente percebe sozinha, não é ele que vai dizer.
V - "Simplesmente ego" - Simplesmente ego.

São todas opções possíveis e, claro, questionáveis. Não é melhor você simplesmente dizer: "fiz bobagem" e passar logo adiante? Bom, há pelo menos cinco tipos posições contrárias, devem haver ainda mais outras tantas. Mas eu queria destacar nesse tópico outra possibilidade que julgo ser bem mais interessant ee cuja análise pode trazer mais frutos pra nossa prática modeleira: os erros que sustentamos por acreditarmos não constituirem erro algum. Podemos até estar errados, mas em algumas situações somos simplesmente incapazes de perceber isso.

Às vezes é muito difícil pra nós identificarmos nossos erros. Seria necessário algum distanciamento ou um observador desinteressado que pudesse nos informar das nossas trapalhadas. Mesas diretoras não vão - nem devem - corrigir nossos deslizes, a não ser posteriormente, talvez por meio de uma avaliação de desempenho, como faz a SiEM. Modeleiros nem sempre se mostram solícitos para aconselhar seus colegas de simulação, especialmente durante o modelo. Muitos se vêem como competidores, seja pela consecução do objetivo da sua política externa, seja pelo - nesse caso, maldito, - Prêmio. Em condições normais, o delegado precisa se cercar de cuidados incansáveis pra garantir que seu desempenho seja satisfatório. Não se trata de embarcar numa neurose em busca de uma apresentação perfeita, mas sim tomar todas as atitudes necessárias pra mitigar as chances de falhas, e reduzir a influência do acaso sobre o seu trabalho, diminuindo as chances objetivas que você vá fazer qualquer bobagem.

Também há uma situação que eu considero ainda mais interessante. e a melhor forma de eu explicá-la é descrevendo algo que aconteceu comigo certa vez.

Em um determinado modelo eu representei um país muito importante discutindo o tema único do comitê. Talvez pela natureza do país e sua relação com o tema, em pouco tempo me encontrei numa situação de oposição com o restante do comitê. Quando digo restante, eu digo TODO MUNDO. Bom, aí seguimos na simulação: eu apanhava, batia, apanhava, batia. Quando chegou ao fim, tivemos uma resolução, todos comemoraram. Pra 90% do comitê eu saí derrotado. Pra mim, eu tinha absoluta certeza que eu saí com uma vitória incrível, especialmente dado o fato que eu brigava com o comitê INTEIRO. A mesma situação teve uma leitura totalmente diferente pelos dois pólos da negociação. Essa pra mim é a situação mais interessante nesse tema, pois temos fundamentações distintas argumentando que o mesmo fato tem consequências diferentes. Pra mim, eu ganhei de goleada. Mas, pro resto do comitê, compreensivelmente, eu sofri uma derrota considerável.

Não é raro que os dois lados do comitê saiam achando que saíram ganhando. Na verdade, raro é ambos acharem que saíram perdendo, justamente pela já mencionada indisposição de modeleiros pra admitir que erraram. Às vezes, porém, essa diferença de interpretação é justificada. No caso, a questão passa a ser o juízo que você faz da posição do outro que, apesar da sua opinião, pode ter saindo ganhando tanto quanto você.

Um exemplo pra tornar as coisas mais claras: neste último AMUN, quase todos os editores deste blog estiveram no mesmo comitê, em posições antagônicas. A resolução final continha elementos suficientes que deram aos dois blocos (no caso, Comunistas e Ocidentais) certeza que estariam aprovando um bom documento. As concepções que fundamentaram essa posição são várias: política externa dos países, dificuldade de outra medida concreta, background acadêmico. Um observador alheio ao debate perceberia que ambos os lados tem argumentos convincentes que seus interesses foram prestigiados.

O que isso quer dizer afinal? Podem ter acontecido duas coisas: a primeira possibilidade é a de uma autocomposição aparente, em que as duas partes aparentam ter conseguido seus objetivos, mas somente uma, na prática, saiu vitoriosa. A outra seria uma genuína composição de interesses, em que todos, buscando o melhor para si, conseguem um termo médio que agrada e desagrada a todos na mesma medida.

Qualquer que seja a verdade, ela é difícil de se distinguir. Precisamos evitar julgamentos apressados e tentar entender todas as complicações de uma situação assim, pra calcular de fato se as visões defendidas pelos participantes encontrariam suporte na vida real, ou seu impacto a curto, médio e longo prazo. De qualquer forma, é importante destacar que nas simulações não nos esquivamos das complicações que permeiam a vida, e aquele erro crasso naquela derrota retumbante pode muito bem ser uma vitória disfarçada num plano muito mais interessante.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Bem amigos representantes do mundo...



MODELEIROS DO MEU BRASIL,

último udpate: segunda, 30. finalmente, Reino Unido! mais Argélia e Sudão.

Assim como ano passado, o Representatives of the World traz pra você, AO VIVO, a designação dos países do mais antigo, mais tradicional e mais cosmopolita modelo brasileiro!

Este ano em sua primeira edição xiita - o XI'AMUN!

Vamos lá dizendo o que já sabemos. E depois iremos updatando este post à medida em que as novas informações vão chegando.

Quem quiser contribuir através dos comentários, clicando logo abaixo, é mais que bem-vindo!

Então vamos lá...

China: USP, como em 2006
Estados Unidos: UFRGS, como em 2005
Federação Russa: Universidade MGIMO de Moscou + Paulistas aleatórios
França: UnB, pelo 2º ano consecutivo
Reino Unido: University of Cambridge!

domingo, 06 - adicionada Ucrânia.
segunda, 30 - finalmente, Reino Unido!
sábado, 28 - adicionados Guiana, Panamá, Jamaica, Haiti, Canadá e Dinamarca.
terça, 17, 16:48 - adicionados Turquia,Honduras, Eslovênia e Estônia
segunda, 16, 01:21 - adicionado Senegal. Ainda falta o UK...
domingo, 15, 18:30 - adicionados: China, Venezuela, México, Líbia, Noruega, Burkina Faso e Iraque - todos USP
sexta, 13, 20:37 - adicionados: França, Costa Rica, Antígua e Barbuda, África do Sul, e boato do UK
sexta, 13, 14:22 - adicionados Argentina, Uruguai, Suíça, Índia, Zimbábue
sexta, 13, 11:25 - adicionados Chile, Finlândia e Irã
quinta, 12, 19:51 - corrigida universidade de Bahamas
quinta, 12, 19:48 - colocados uma porrada de países




Afeganistão: Universidade MGIMO de Moscou
África do Sul: FACAMP
Alemanha: UnB
Angola: UFRGS
Antígua e Barbuda: FACAMP
Arábia Saudita: UnB
Argélia: Sciences Po, Paris (segunda, 30)
Argentina: Universidad de Buenos Aires
Austrália: UFRGS
Bahamas: Unilasalle (RS) (e não UFRGS, como antes publicado)
Bolívia: UnB
Brasil: UnB
Burkina Faso: USP
Canadá: UnB
Costa Rica: FACAMP
Croácia: UnB
Chile: UnB
Cuba: UnB
Dinamarca: UFRGS
Eslovênia: UnB + Webster University, Viena
Estônia: UNAMA, Belém
Espanha: UnB
Índia: ESPM (RS) (não confundir com ESPN)
Irã: UFC (Ceará)
Iraque: USP
Islândia: UnB
Itália: UFRGS
Finlândia: UnB
Guiana: University of Guyana
Haiti: University of Guyana
Honduras: UnB
Jamaica: University of Guyana
Líbano: UnB
Líbia: USP
México: USP
Nicarágua: UnB
Noruega: USP
Países Baixos: UFRN
Pana: University of Guyana
Santa Sé: UnB
Senegal: UFRGS
Sudão: Sciences Po, Paris (segunda, 30)
Suíça: Lebanese American University, Beirute
Turquia: UnBUcrânia: UnB
Uruguai: Universidad Abierta Interamericana, Buenos Aires
Venezuela: USP (vai bombar na OEA!)
Zimbábue: UFRGS