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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Os Novos Editores: eles estão aqui!

... bem, não exatamente "aqui", já que eles não estão em minha residência, tomando um bom Bordeaux.  E o servidor que hospeda esse blog não deve ser lá o ambiente mais agradável de se habitar.

Mas, antes de dar o resultado...
Vamos falar de coisa boa!

Tá, chega.  Sem mais delongas, dêem boas vindas aos ganhadores da menção honrosa novos editores do Representatives of the World: Carolina Tavares, Elisa BertilloFelipe Afonso “Pirata” Guimarães!

Fica aqui consignado em ata o nosso obrigado a todos os participantes.  A demora no anúncio do resultado é resultado de uma disputa acirrada, resolvida apenas na madrugada de hoje, após consulta a um pajé zimbabueano, uma astróloga e o polvo Paul.

Parabéns a todos, e vida longa ao RotW!

A Segunda Geração.
João Pedro de Sá Teles,
Pedro Nogueira, e
Philip Hime

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Os tipos da Modelândia

Após o último post do Artur sobre o que são erros e o que não são, conversamos um pouco pelo MSN sobre estilos de simular e modelar e como isso também leva a interpretações diferentes daquilo que é certo ou errado.


Conversa vai, conversa vem, chegamos a uma série de tipos weberianos de modeleiros, com comportamentos orientados de acordo com uma certa visão de mundo ou de trabalho e definidos de acordo com a nossa experiência coletiva em outros modelos. Provavelmente há outros tipos, e gostaríamos de ouvir de vocês leitores se acertamos na mosca, se erramos ou se falta algum tipo. Vale dizer também que um delegado nem sempre é de um único tipo, pois eles não são mutuamente excludentes (salvo pelos tipos Revisionista e Purista, que o são por questões lógicas).


Cada um dos tipos pode ser mais ou menos participativo, mais ou menos agressivo, mais ou menos negociador, mais ou menos tagarela. Os tipos estão principalmente relacionados aos objetivos que um indivíduo tem quando vai a uma simulação e não aos meios que ele usa (embora no último tipo, o Competidor, esta divisão seja bem tênue).



power_rangers 1.jpg


Tipo 1: Burocrata


Este é o tipo de delegado(a) que se preocupa em seguir à risca sua política externa e as formalidades da apresentação desta política, muitas vezes discutindo e se portando de forma mais próxima à de um burocrata, sem os theatricals costumeiros de alguns outros tipos de modeleiros. É, de certa maneira, o tipo mais conservador de delegado, talvez o mais comum (quem ainda não conhece os meandros da Modelândia preferirá manter as coisas simples, também).


Tipo 2: Bom-Mocista


O(A) delegado(a) bom-mocista se preocupa mais com o bem maior da coletividade em detrimento dos interesses individuais da nação representada. É um tipo bastante comum em comitês direcionados para questões de desenvolvimento ou direitos humanos. Sua atuação costuma uma das manifestações mais comuns de opiniões pessoais se sobrepondo aos interesses nacionais.


Tipo 3: Resolucionista


Abordado anteriormente neste blog, o resolucionista é o tipo de delegado que quer porque quer que uma resolução sobre o tópico seja aprovada a qualquer custo, mesmo que isto signifique sacrificar interesses importantes. É o único tipo que se aplica também a diretores.


Tipo 4: Materialista


O materialista é aquele que busca de alguma forma um resultado concreto ou material para os tópicos sendo discutidos. Declarações, resoluções e acordos de cavalheiros não bastam: tem que ter algum resultado real. O tipo inclui principalmente aqueles convictos em criar um fundo ou comissão ou grupo que deva analisar a questão sendo discutida. Também se incluem aqui aqueles delegados que querem fazer contribuições de tropas ou fundos para uma determinada missão. De certa forma é um resolucionista mais específico, mas nem sempre precisa ser.


Tipo 5: Sofista


O principal objetivo do delegado sofista é provar que ele e seus argumentos estão corretos. Não importa se isso significa aprovar algo ou travar o debate, ser agressivo ou ser pacifista; o objetivo do sofista é provar que o resultado que ele está propondo é o correto para seus interesses e para o dos demais. É um tipo complexo de delegado pois inicialmente ele pode ser qualquer dos outros tipos; sua característica principal é a persistência em conseguir o resultado desejado.


Tipo 6: Purista


Um tipo muito mais visível em simulações de situações históricas, o purista é o que se preocupa em repetir aquilo que acontece ou aconteceu na vida real por acreditar que qualquer outro resultado seria implausível e, portanto, descaracterizador de uma verdadeira simulação. Desta forma, ele resolve play by the book apenas, simulando em um sentido bastante estrito, por assim dizer.


Tipo 7: Revisionista


Da mesma forma, há também o tipo de delegado que quer tudo menos repetir a história. O delegado fará tudo ao alcance de sua representação para justificar decisões que foram diferentes do que aconteceu ou acontece na vida real, buscando manter-se ainda no campo da plausibilidade ao fazê-lo. Embora muitas vezes isso possa ser feito de maneira aceitável, o potencial para desvios muito grandes da realidade é considerável, fazendo de um revisionista descuidado um tipo perigoso para simulações históricas.


Tipo 8: Competidor(a)


Um tipo aplicável principalmente a modelos que possuam prêmios para conceder. O delegado competidor faz uso de truques e métodos que têm como único objetivo o ganhar um prêmio. Embora em muitas medidas se confunda com um vendido clássico, lembremos que o vendido não é necessariamente um tipo de delegado, mas sim um método ao alcance de qualquer dos tipos acima. O competidor, de certa forma, aperfeiçoou (ou incorporou) a vendidagem de tal maneira que ela se tornou um fim em si mesma, fazendo com que os objetivos tradicionais de uma simulação se percam em detrimento do desejo pelo prêmio.


Evidentemente, esta lista não é fechada, nem definitiva; queremos saber das suas opiniões também - se concordam ou discordam com as definições, se falta algum tipo... Mandem bala!

sábado, 31 de maio de 2008

A Escola Gaúcha de Modelagem e Vendidagem

Antes de dar espaço pro Gustavo, um adendo meu: parece que o desafiu surtiu efeito, então eu aproveito a deixa e pergunto CADÊ OS MODELEIROS DA REGIÃO NORTE? E VOCÊS DO CENTRO-OESTE? VÃO DEIXAR O POVO DE BRASÍLIA FALAR POR VOCÊS? HEIN, HEIN? Era só isso, obrigado =)

Pra quebrar o silêncio, uma experiência nova vinda do Sul...

Gustavo Meira Carneiro

Finalmente! Imagino que muitos dirão isso... O último post do Sr. Wagner Arthur finalmente conseguiu me fazer vencer a preguiça e escrever algo para o Representatives em nome do povo modeleiro da UFRGS, tão citado e ao mesmo tempo tão calado nesse blog. Mais integração entre os modelos brasileiros é essencial, e acho que escrever no Representatives é a ferramenta perfeita para melhorar isso (além das festas de modelo, claro). Como uma comunidade modelística fisicamente distante do centro do país, nós da UFRGS acabamos por desenvolver idéias e conceitos um pouco diferentes sobre Modelos, então acho que podemos contribuir e ganhar bastante discutindo mais por aqui.

Passemos ao assunto principal do post, então.

Em muitos posts do blog se vêem menções aos problemas na passagem de gerações de modeleiros, à queda de participação e às dificuldades de integração de pessoas novas nesse mundinho fechado dos MUNs brasileiros. Como parte de toda uma filosofia modelística que não cabe nesse post, o UFRGSMUN de 2008 tomou algumas medidas que, acredito, ajudaram bastante na diminuição dessas dificuldades todas. Uma primeira medida foi a “abertura” do staff (acadêmico e administrativo) do UFRGSMUN para pessoas de todos os cursos da nossa Universidade, que têm contribuído muito para o crescimento do modelo.

Mas o assunto principal desse post é outra idéia que tivemos, e que acredito que possa ser importante para o futuro dos modelos (não é pretensão...): o nosso Curso de Simulações - a “Escola de vendidagem” (sim, nós acreditamos na boa vendidagem, mas essa polêmica fica pra outro post). Montamos um curso de extensão na UFRGS aos sábados pela manhã, aberto a estudantes de todas as áreas e Universidades, para ensinar sobre o que são e como participar de MUNs. Nós mesmos não esperávamos o sucesso que tivemos: foram quase 70 inscritos, na maioria alunos de 1° e 2° semestres. As aulas abordam os temas essenciais para o delegado aproveitar bem um MUN, desde o funcionamento da ONU até a maneira de se dirigir ao chair.

Fazendo uma avaliação posterior (o curso está quase no fim), vejo que ele acabou sendo importante não só pela melhora no nível geral dos delegados, mas também porque despertou em muitos calouros uma grande empolgação pelos modelos que talvez eles não desenvolvessem participando “crus” de um MUN. Outra contribuição importante do curso diz respeito justamente ao tal “conflito de gerações”. Acho que o distanciamento de gerações acontece, em linhas gerais, porque os velhos modeleiros acabam não compartilhando suas histórias e sua experiência, às vezes por arrogância mesmo, às vezes simplesmente por não estarem mais “entre nós”. A existência de um grupo fechado de modeleiros velhos (mesmo que só na aparência) afasta uma parte dos novos delegados e acaba criando um gap.

O que aconteceu no nosso curso foi mais ou menos o oposto disso. Os nossos principais professores eram os velhos vendidos Diego Canabarro, Fernando Bordin e Thomaz Santos, que fazem parte da primeira geração do UFRGSMUN e compartilharam suas histórias e sua experiência de uma forma muito aberta com os alunos. Essa abertura, e a referência constante a histórias de delegados jurássicos (mesmo com a contribuição de alguns membros desse blog) fez com que essa grande turma de novos delegados se sentisse parte do mundo modelístico mesmo sem ter ainda participado de um MUN. A simples troca de histórias, e a própria criação de um role model simpático e acessível do bom delegado, conseguiram aproximar bastante bem essas gerações distintas. Mesmo sem a criação de laços mais profundos de amizade, a simples troca de experiências faz com que se consiga envolver as novas gerações de MUNers de maneira mais profunda, o que permite (assim esperamos) que o modelo tenha continuidade e que as novas gerações se espelhem nos acertos e desviem dos erros das gerações anteriores.

Essa conclusão pode levar à discussão do “tradicionalismo” e da inovação nos modelos, algo que temos discutido bastante por aqui. Quem sabe um próximo post?

Fico muito feliz em quebrar nosso silêncio e espero ter contribuído um pouco!