quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Representatives’ Feelings

** O blog modeleiro permanece em fase de transição, selecionando novos editores. Mais informações, vide o post a respeito do tema. Lembrando que receberemos CVs até dia 10/12! **

Nota dos editores: É política do blog não escrever posts sobre modelos específicos. Porém, como se trata de um caso sui generis -os editores atuais não foram ou podem ser delegados do Global Classrooms - julgamos que as reflexões propostas pelo Jeff Agrella são válidas para falar algo mais do que o modelo em si, mas o impacto social a modelândia pode causar em nosso país.

Representatives’ Feelings


No final de semana dos dias 14, 15 e 16 de novembro aconteceu a terceira edição do Global Classrooms São Paulo. O evento, que contou com a participação de aproximadamente 300 pessoas, entre alunos, voluntários e professores, é o único Modelo Brasileiro voltado aos alunos da rede pública de ensino no Brasil.Dentre os alunos, certamente mais de 80% estavam “aprendendo a modelar”, e a imagem que passavam, durante a cerimônia de encerramento, era a de que lição foi bem compreendida. Entretanto, o Global Classrooms ensina um tanto mais que apenas modelar. Leciona muito mais do que técnicas de oratória, de pesquisa, compreensão, tolerância e todas as demais que observamos em nossas idas e vindas pelos modelos desse nosso querido e insano mundo paralelo.O Global Classrooms é um instrumento para inflar a auto-estima de nossos queridos alunos/delegados, muitos dos quais que até o dia da cerimônia de encerramento não acreditavam em si mesmo.

Nós, que passamos por um Global Classrooms (sim, tive o prazer de ter sido delegado deste magnífico projeto) saímos de lá dotados da certeza de que, a partir daquele momento, nossa existência ganha outro sentido. Exagero? As lágrimas derramadas por vários delegados durante tal cerimônia provam que não.




Ver estampado em outros rostos, pela segunda vez como organizador, o que este Modelo representa pra mim, me faz crer que todos aqueles que tiveram o prazer de, um dia, se declarar como representante de “Estado x”, mesmo que por alguns instantes, deveriam viver a experiência que qualquer edição do Global Classrooms propicia.É através de um Global Classrooms que percebemos que todos os valores que são tentados passar durante um Modelo podem sim chegar a seus destinatários. É o Global Classrooms que nos prova que, dentro deste “mundo modeleiro”, podemos sim acreditar que temos o poder de mudar aquilo que consideramos estar fora de seu sentido lógico.Eu sei que parece muita “babação-de-ovo”, e que deve estar sendo um saco ler este post que foge tanto à estilística bem-humorada representada por todos os outros abaixo. Mas, é necessário compartilhar com todos aqueles que nunca puderam sentar em uma cadeira do Global Classrooms, tanto como delegado, quanto como organizador, a lição metafisicamente ensinada durante os dias de qualquer edição de um Global, a de que além de todas as nossas horas e treinamentos com oratória, devemos levar aos modelos as nossas paixões.



Tenho pra mim que o projeto, que é organizado por nossa querida modeleira Raquel Mozzer, representa aquilo que de melhor podemos tirar de um modelo, a sensação de algumas horas investidas no aprimoramento de pessoas tão especiais, a começar por nós mesmos. E, investido desta sensação, fico feliz em perceber que tal projeto toca, cada vez mais, a essência de quem passa por um Global Classrooms. Senhores modeleiros, mais do que transmitir a nós, delegados, os preceitos e valores da Carta das Nações Unidas, o Global Classrooms sempre será um divisor de águas na vida de qualquer aluno que por ali passe. É a partir dele que saberemos dizer “Yes, We Can” (quem esteve presente esse ano entenderá).


Seja parte, modeleiro, dos momentos mais importantes, até então, da vida de um aluno que se sente importante pelo simples fato de aprender a aprender um pouco mais sobre si mesmo.



Jefferson Agrella, o Jeff, é aluno do 4º semestre do curso de Direito das Faculdades Integradas Rio Branco e iniciou suas participações em modelos na primeira edição do Global Classrooms São Paulo, em 2006.

sábado, 29 de novembro de 2008

Nações Unidas: Mais poder às novas gerações

Enquanto estamos nesse período de transição, o blog não vai parar. Um dos leitores, Bruno Sindicic, de 17 anos, nos enviou esse texto para que fosse compartilhado com os demais. Agradecemos sua disposição e lembramos que mesmo com a mudança dos editores, o blog permanecerá aberto para contribuições. Esperamos que isso não mude, e que tenhamos cada vez mais vozes - de preferência dos cantos mais remotos do Brasil - ajudando a compor a voz da modelândia brasileira. Então, levando em consideração o excelente timing do texto, o publicamos a seguir, espero que gostem! (ou desçam o cacete nos comentários, como bons dele-malas).

Nações Unidas: Mais poder às novas gerações

Por Daisaku Ikeda*

Tóquio, outubro/2008 – “Dêem-me uma alavanca e um ponto de apoio e moverei a Terra”, afirmou Arquimedes, segundo se diz, há cerca de 2.200 anos. As palavras do cientista grego vão além de uma explicação sobre o princípio da alavanca. Indicam também as potencialidades da humanidade e expressam a convicção de que, sejam quais forem as crises que devemos enfrentar, os seres humanos têm, sem dúvida, a sabedoria para encontrar uma solução.

A metáfora de Arquimedes sobre a alavanca foi alvo de uma citação do presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy em seu discurso de 1963 perante a Assembléia Geral das Nações Unidas: “Estimados habitantes deste planeta: ocupemos nossos lugares aqui, nesta Assembléia das Nações Unidas, e vejamos se, em nosso tempo, podemos levar ao mundo uma paz justa e duradoura!”.

A ONU nos proporciona “um ponto de apoio” para o desafio de levar à Terra o bem-estar para toda a humanidade. Nosso mundo está atualmente esmagado por uma desconcertante série de assuntos globais que vão da mudança climática à crise economia, a pobreza e as disparidades em matéria de riqueza, até o terrorismo e as escassezes de alimentos. Como fazer para começar a desfazer este emaranhado de problemas entrelaçados entre si? Creio que o caminho para resolver estes desafios é o de maximizar as potencialidades da ONU, que é o contexto de solidariedade nascido da trágica experiência de duas guerras mundiais.

Por que qual outro lugar existe para juntar nossos recursos, transformar nosso modo de pensar e passar da busca de estreitas metas nacionais ao trabalho conjunto para toda a humanidade? Este planeta não existe para servir aos interesses de um Estado em particular. Mas cada Estado existe para contribuir para os interesses comuns do planeta. Há uma grande necessidade de que todas as nações reafirmem esta verdade manifesta. Naturalmente que a ONU enfrenta numerosos problemas. Mas, se desejamos que cumpra sua missão é necessário ser revitalizada.

Para funcionar no século XXI a ONU deve se sustentar sobre três pilares que transcendam as fronteiras nacionais: um sentido compartilhado sobre o rumo a seguir, um senso de responsabilidade e um acionar comum. Creio que o compromisso criativo e a capacidade inovadora dos jovens de todo o mundo são a chave para romper os moldes existentes e afirmar os princípios antes enunciados. A juventude tem cada vez mais um senso de identidade global. Os jovens estão unidos pro uma preocupação comum sobre o destino de nosso planeta e estão conectados através de novas tecnologias das comunicações.

As pessoas com menos de 24 anos, definidas pela ONU como “jovens” e “crianças”, agora constituem quase 50% da população mundial. Se descuidarmos da busca de soluções para as questões contemporâneas, a próxima geração deverá enfrentar as trágicas conseqüências. Portanto, ninguém tem mais direito do que os jovens a expressar sua opinião sobre os atuais. E é um privilegio especial da juventude o poder elevar-se mais além dos estreitos limites do ganho de curto prazo, bem com apaixonar-se pela justiça e pela obtenção de objetivos de longo prazo. Creio ser de vital importância estabelecer estruturas adicionais para a participação ativa dos jovens nas deliberações realizadas pelas agências especializadas da ONU.

A participação na tomada de decisões é uma das prioridades da agenda da ONU sobre a juventude. Este ano, 14 países incluíram representantes juvenis em suas delegações à Assembléia Geral. Tais iniciativas deveriam ser incentivadas e estendidas. Atualmente, existe um “ponto focal para a juventude” dentro do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais (Desa) que maneja questões relacionadas com os jovens. Este departamento poderia ser potencializado e convertido em um Escritório para a Juventude. Outra sugestão seria a designação de um Representante Especial junto ao Secretário-Geral da ONU ou de um Alto Representante da ONU para a Juventude.

Também é desejável apoiar o fortalecimento da Assembléia da Juventude, que reúne anualmente representantes de jovens do mundo, de modo que suas deliberações alimentem diretamente as da Assembléia Geral da ONU. Além disso, devem ser criados canais para que os jovens levem suas preocupações à atenção dos líderes mundiais. Tenho fé nos jovens. Somente eles possuem o fogoso dinamismo, a energia e a inspiração criativa necessários para construir algo novo, para prever e construir um futuro melhor para eles próprios e para empreender ações que permitam superar as crises que enfrentamos. Devemos aproveitar este poder e esta sabedoria dos jovens. As pessoas jovens são a força condutora que pode superar qualquer ponto morto e abrir novas possibilidades para a humanidade, encaminhando o mundo para a paz. Todos ganharemos se permitirmos que usem a ONU como um “ponto de apoio”. (IPS/Envolverde)

* Daisaku Ikeda, filósofo budista japonês, é presidente da associação de base budista Soka Gakkai Internacional (SGI, http://www.sgi.org).
Espero que sirva de alguma coisa,

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Sucessão no blog modeleiro

Amigos, vamos abrir o jogo.

O tempo passou. Os editores deste blog, que eram velhos modeleiros, viraram modeleiros velhos. Quase todos estamos formados e/ou pós-graduados e/ou trabalhando para valer. Nossas carreiras em simulações da ONU estão no crepúsculo, e desta vez não é blefe.

Chegou a hora de passar o blog para a frente.

Nesta última década, nós viajamos o país e o planeta para participar de MUNs. Organizamos modelos e comitês de todos os tipos possíveis e imagináveis. Somados, participamos de precisamente 101 simulações. Colecionamos histórias para contar e amigos para rever. Mas terminou. Todo carnaval tem seu fim.

Como a Modelândia continua, hoje e sempre, decidimos recrutar nossos sucessores. Eles terão a árdua mas fascinante tarefa de continuar estimulando o debate permanente sobre MUNs no Brasil.

Está aberto o processo de seleção para quatro novos editores de Representatives of the World. Participem!

Requisitos

I - Ser estudante universitário. Pode ser de graduação ou pós, em qualquer ano. Não importa a área de estudos. Também não importa a instituição - vale qualquer uma do Brasil ou do exterior.

II - Possuir pelo menos dois anos de experiência como modeleiro, incluindo necessariamente:
a) Experiência como delegado E como organizador (assistente, diretor de comitê, secretário-geral ou afins);
b) Participação em no mínimo dois modelos, de preferência em diferentes cidades ou estados.

III - Ter disponibilidade para escrever de forma regular no blog, isto é, no mínimo uma vez por mês.

Os candidatos deverão enviar seus currículos modeleiros, com a descrição detalhada de suas experiências em MUNs, além de um post de exemplo para o blog, para o email correiodiplomatico@gmail.com . A data-limite é 10 de dezembro de 2008.

Os quatro atuais editores permanecerão como colaboradores e poderão escrever posts ocasionais, mas abdicarão da editoria e do controle administrativo do blog.

Novos modeleiros, levantem-se! Que nós vamos descansar.

Frederico "Cedê" Silva
Guilherme Pereira
Thomaz Napoleão
Wagner Artur Cabral
Fundadores e editores de Representatives of the World

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Nada de novo no front diplomático


A festa da democracia não se limita aos municípios brasileiros e à Casa Branca. A ONU também vota. Votou hoje. O resultado? A Assembléia Geral perdeu mais uma excelente chance de tornar o Conselho de Segurança, se não mais eficaz ou democrático, pelo menos mais divertido.

Os cinco novos membros do CS, eleitos para ajudar a tomar conta da paz mundial entre 2009 e 2010, são Áustria, Turquia, Japão, México e Uganda.

Não há nenhum novato entre os membros rotativos recém-eleitos. O Japão vai ser conduzido para o Conselho pela décima vez, batendo um recorde que até agora era dividido com o Brasil. Turcos e mexicanos foram eleitos pela quarta vez. Austríacos e ugandenses entram no clube pela terceira vez.

Os cinco eleitos substituirão Itália, Bélgica, Indonésia, Panamá e África do Sul. Ou seja, o Conselho vai ficar ainda mais tranqüilo do que já era. Os sul-africanos são hoje os terceiro-mundistas mais barulhentos do CS, e não perdem uma chance de proteger Mianmar ou o Zimbábue dos reproches ocidentais. Já a Itália do Berlusconi, como se sabe, gosta de um bom factóide.

"Nosso zelador vai conduzir o senhor ao toalete!"


Mas o realmente interessante é ver a lista dos Estados que perderam as eleições para o próximo biênio do CS. O Irã se candidatou pelo grupo dos países asiáticos, mas obteve apenas 32 votos, ante os 158 do Japão. Já a Islândia – que acaba de ser salva da bancarrota por um empréstimo bilionário de petrodólares russos – fez uma campanha longa, esforçada e inútil; recebeu 87 votos, contra os 151 da Turquia e os 133 da Áustria (havia duas vagas européias em disputa).

Tragicamente, entre os Estados latino-americanos o Brasil recebeu apenas UM sufrágio perante os 185 votos do México! Derrota fragorosa? Mais ou menos. O Brasil não era candidato.

O bottomline é que o Conselho de Segurança poderia ter entre seus membros um país proliferador e uma ilhota sem exército, mas isso não vai acontecer em 2009. Seria bom para o anedotário das relações internacionais, mas talvez atravancasse um pouco mais a pauta da segurança global.

PS: Se o leitor pensa que a Islândia não passa de um paiseco gelado, saiba que Reykjavík articulou uma espécie de anti-Santa Aliança entre os 24 membros da ONU que não possuem forças armadas permanentes. Quem conseguiria harmonizar os interesses divergentes de potências rivais como São Marino, Dominica e Micronésia? A Islândia conseguiu.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

IOSC lança "Projeto Memória"

Conforme divulgado pelo Diretor-Presidente Roberto Gama:

IOSC lança Projeto Memória, vinculado ao aniversário de 10 anos do Clube, a ser comemorado em 2009

O International Organizations Simulation Club convida seus (ex-)membros e (ex-)estudantes da PUC Minas que participaram de Modelos das Nações Unidas (MUNs - Models United Nations), bem como estudantes (em geral) que participaram de IOSCMUN, a prover informações de respectiva experiência.

Mais detalhes sobre o projeto e a chamada podem ser encontrados aqui.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Pela Profissionalização das Crises

  “Eu vou perguntar só uma vez... CADÊ A BABÁ?”

Tenho a leve impressão que uma lynching mob se dirigirá contra mim após esse post, mas não custa tentar...

Não sei se mais alguém tem percebido isso, mas, nos modelos brasileiros, eu vejo uma “banalização” das crises. Anteriormente, crises eram a exceção, agora são a norma. Em contraste com a época quando comecei a freqüentar modelos (em 2005-2006), quando, normalmente, só comitês de segurança tinham crises, hoje até mesmo comitês ambientais as planejam. Por quê? Eis minha humilde hipótese:

“Antigamente”, a crise tinha duas finalidades. Uma delas era mostrar que aquela simulação era uma coisa bem próxima da realidade. Ora, é claro que se o Conselho de Segurança estiver no meio de uma sessão sobre a renovação do mandato da UNIFIL e alguém abrir a porta de supetão e gritar: “A Geórgia tá metendo o pau nos ossetas!”, eles obviamente vão parar aquela sessão para discutir a questão na Geórgia. Talvez os mais experientes no mundo modelístico possam me desdizer, mas, no meu ver, as crises surgiram para dar aos delegados a sensação de instabilidade inerente a situações extremas ou tensas.

A segunda finalidade das crises era (e ainda é, se forem bem planejadas) ajudar os diretores a separar o joio do trigo. Na crise, você percebe quem realmente incorpora a postura do país (nacionalismo transferido na veia) e quem só sabe a posição do país em relação a um tema. Não estou pedindo que os delegados saibam da política externa inteira do país, o que seria absurdo, mas sim a postura, o que é algo mais difuso. Por exemplo: se estiver sendo discutida a influência das moscas da Patagônia na segurança dos campos de refugiados palestinos e houver uma crise envolvendo a Coréia do Norte, o delegado americano tem que ter o bom senso de tentar esculachar o Kim Jong-Il. Se a França for a linha dura do comitê e os EUA forem da turma do “deixa disso”, existe algo muito errado.

Hoje em dia, principalmente nos casos de uma mesa diretora inexperiente, a crise deixou de ser uma ferramenta de avaliação para ficar apenas como algo que leva o comitê mais próximo da realidade – ou mais longe, dependendo da qualidade da crise – ou até mesmo como “algo legal de se fazer”. Por incrível que pareça, existem pessoas que acham legal ficarem trancadas em uma sala para almoçar – coisa que, sinceramente, não entendo.

De similar maneira, a qualidade das crises também caiu. Claro que antes também existiam casos de crises loucas, como o paradigmático caso da babá egípcia. Mas a insanidade é mais freqüente hoje, muitas vezes por conta de crises mal preparadas. Por exemplo, se for feita uma crise envolvendo um porta-aviões americano, o mínimo que se pode fazer é acessar a página da Wikipédia do navio e verificar que a marinha americana utiliza o prefixo USS, e não HMS, como vi em uma crise por aí.

O problema da qualidade das crises me leva a outra idéia que tenho ventilado com alguns modeleiros: a figura do diretor de crise, que tem se popularizado, principalmente nos últimos anos.

Durante o modelo, é normal algum comitê “precisar de uma crise” por qualquer motivo e não conseguir planejá-la, por quaisquer motivos. Entra em cena aquela figura que existe em qualquer modelo: a do “cara que faz crises”. Essa pessoa normalmente é diretora de algum outro comitê, e acaba tendo que administrar, além das suas próprias crises, as de dois ou três outros comitês. Desnecessário afirmar que isso é prejudicial para o modelo em si, já que o “cara das crises” tem seu próprio comitê para conduzir, e fica com a atenção dividida demais. Além disso, em um espaço curtíssimo de tempo, ele tem que se informar de como o comitê está e quem ele pode influenciar lá dentro, além de fazer uma pesquisa básica sobre o tema, caso seja algo mais obscuro (e.g. influência das moscas da Patagônia na segurança dos campos de refugiados palestinos).

Caso os modelos tivessem três ou quatro diretores de crise “estatutários”, ou seja, selecionados através de edital ou application, alguns problemas poderiam ser solucionados:

1.      1. É possível peneirar as pessoas responsáveis pelas crises através de um processo mais objetivo (no caso de uma application), aumentando a qualidade das crises.

2.      2. A divisão de tarefas entre os diretores permite que cada um dedique mais do seu tempo e atenção a um número menor de comitês, resultando em crises mais detalhadas, bem pensadas e planejadas.

a.      Um pouco de brainstorming coletivo nunca prejudicou ninguém. Os diretores podem colaborar entre si para enriquecer uma crise. Quatro cabeças com certeza pensam melhor que uma.

3.     3. A imagem do modelo em si ganha, já que as crises em diferentes comitês terão um nível parecido, eliminando o argumento “meu diretor não sabe fazer crise”.

Já existe pelo menos um caso de sucesso seguindo uma versão reduzida desse modelo que apresentei. Durante o V ONU Jr, os delegados da Crise de Berlim, que se dividia em uma épica batalha entre OTAN e Pacto de Varsóvia, tomavam decisões que afetavam o outro comitê. Entretanto, a ligação não era direta. Existia uma “war room” para a coordenação de crises, a qual foi batizada de GRUCON – Grupo de Controle. O importante é que as pessoas do GRUCON tinham uma visão panorâmica (ou bird’s eye, a que você preferir) de ambos os comitês. Era lá onde as cartas para os governos eram respondidas, as ordens militares, executadas e as crises, desenvolvidas. Sempre consultando os diretores que estavam acompanhando o debate, claro.

Isso me lembra de fazer uma observação: não estou defendendo que um pequeno grupo tome as rédeas do rumo dos debates em todos os comitês de um modelo. Pelo contrário. A integração e o diálogo entre os diretores de crise e os diretores de comitê é fundamental e imprescindível ao sucesso do comitê e, por conseguinte, do modelo.

Estariam as crises fadadas a virarem meros acessórios de comitê? Diretores de crise e war rooms vão “pegar” no mundo modelístico? Aguarde os próximos capítulos.

Philip Hime é aluno do 4º período de Direito na PUC-Rio e diretor da Organização dos Estados Americanos do VI ONU Jr.