"Nasci" em uma geração que inaugura sua carreira na modelândia ainda no ensino médio. Esses modeleiros facilmente ultrapassam as fronteiras do mundo universitário com muita simulação na bagagem e vão ao primeiro AMUN com dez ou doze simulações do mainstream de modelos brasileiros e até estrangeiros. Por agora, um grande tendência em Belo Horizonte são as simulações internas, promovidas dentro dos colégios e, muitas vezes, inteiramente desenvolvidas pelos alunos secundaristas. Conheço casos parecidos, por exemplo, em Brasília, onde há um circuito muito organizado de simulações internas e que, inclusive, interagem formalmente entre si. Muito da minha experiência em simulações vem destes modelos internos e, portanto, sou um grande fã dessa modalidade de simulações, que, no meu jurisdimento, contribuem muito pra formação de cada modeleiro por seis motivos. Vamos a cada um deles.
Tamanho: Sou um entusiasta das simulações em comitês reduzidos. Menos gente frequentemente significa mais tempo de discurso para cada delegado e mais atenção pra cada participante, tanto pela diretoria quanto dos colegas de comitê. Não fui a modelos internos com comitês muito maiores que quarenta delegados e isso sempre foi positivo.
Desenvoltura: Com menos gente e com mais conhecidos, delegados tendem a ter menos vergonha de discursar e acabam por, com o perdão da expressão, 'perder a virgindade' discursiva muito rápido, o que os deixará mais à vontade, posteriormente, no faraônico Mini-ONU ou na gigantesca SiNUS, o terror dos delegados tímidos.
Treinamento [?]: na falta de uma palavra melhor. Simulando em casa, delegados tem tempo de se familiarizar com as regras (extremamente importantes, na minha opinião) e outros aspectos das simulações para, em outras ocasiões, aproveitar mais o conteúdo que preocupar-se com a adaptação à forma. Este fator e o anterior acabam por tornar-se um só, já que a simulação interna elimina o período de adaptação que os delegados devem ter no modelo de proporções maiores, durante a primeira e segunda sessões. Só alegria!
Coesão de delegações: Simular com os companheiros dentro do colégio cria uma identidade comum entre os alunos que, em outro modelo, formarão uma delegação. Isso enaltece o conceito de ‘delegação’ em si, quando os alunos realmente passam a se comportar como um grupo de embaixadores trabalhando por uma mesma causa, já que simularam juntos previamente e provavelmente se prepararam juntos. Além disso, em um outro nível de análise, aprender com os veteranos da escola acaba criando um estilo parecido de simular. Aqui em BH, por exemplo, já é possível ficar meia hora em um comitê e identificar, pelo jeitão, quem é o delegado do Colégio Militar, quem é o do Magnum e quem é o do Santa Maria.
Relações Intercolegiais: Quando os alunos de um colégio passam a convidar os colegas de outras escolas para simular em seus internos, começa a formar-se uma comunidade mais interativa de modeleiros na região, já que o convite certamente será retribuído. Somado ao fator anterior, cria-se um circuito alternativo de modelos, não concorrente, mas complementar ao mainstream. Multiplicada a simulação, multiplica-se a diversão!
Evolução acadêmica: frequentemente, os modelos internos são organizados pelos próprios alunos, que conduzem a pesquisa, escrevem guias de estudos/regras e dirigem comitês. Ao contrário do que pode parecer, isso não costuma reduzir a qualidade acadêmica dos comitês, que costumam seguir muito corretos. Já chegamos a ver por aqui momentos espetaculares de comitês muito bem estudados e construídos, exemplos, inclusive, para simulações do mainstream.


