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quinta-feira, 19 de abril de 2007

Be kind and... rewind?

Um comentário de Laura Waisbich na lista de e-mail da UNPO, sobre uma possível repetição da tão peculiar simulação deste órgão, me trouxe um sorriso curioso. Simular a UNPO foi, antes de mais nada, uma prova que todo mundo sempre tem algo a aprender, e acho que todos nós presentes (o que coincidentemente ou não inclui todos os editores deste modeláximo blog) aprendemos a few new tricks. Não me deterei neste ponto por achar que a elaboração e condução sui generis da UNPO merece um post exclusivo.

Como alguns sabem, estive representando a portentosa Nação Dene do Rio Buffalo, uma mega-potência de quase mil pessoas - sendo cento e vinte moradores registrados da reserva. Foi imensamente divertido representar uma nação desse quilate, e repetiria o feito sem pestanejar. Lembrando que o próprio contexto de ironia do comitê tornou tudo ainda mais divertido. Tirar do armário minhas vestes tribais de Dene seria sim, interessante, mesmo que atualmente eu tenha pesquisado mais sobre os Sioux Lakota, outro nobilíssimo povo, mas algumas questões surgem dessa situação inusitada: Como se faz um Modelo vol.2? Claro que existem comitês já tradicionais em todos os modelos. Quem não conhece um rato de UNSC ou Leon que atire a primeira pedra. Mas e um comitê incomum, fora do padrão?

Na UNPO nós aprovamos 17 resoluções e algumas emendas à Carta, o que arrisco dizer que traria consequências extensas no modus operandi da organização. Inclusive, boa parte das discussões estava voltada justamente para otimizar os trabalhos e sanear os buracos institucionais. Fizemos um pacote de medidas que, se postos em prática, provavelmente transformariam a UNPO em algo bem diferente do tradicional. E aí, a gente esquece tudo isso e volta pro UNPO pré-MUNPO? E como justificar a reunião, já que a Assembléia Geral só ocorre de 4 em 4 anos a cada dezoito meses? Vamos simular a UNPO 2010?

Além disso, ainda há a questão das pessoas. É claro que o Dene repetente já iria saber lidar com toda a estrutura, saberia quais delegados estão mais aptos a negociar. Não só você conheceria algumas pessoas (repetindo comitê como você) como a posição diplomática (mesmo dos que mudem, a representação é a mesma), o que, convenhamos, é quite a excellent start. A facilidade com que um delegado chegaria em um comitê assim dizendo "então, como dizíamos ano passado" e enfiar uma agenda na goela de alguém é quase tão irritante quanto podem ser os inúmeros argumentos de autoridade a la César "eu vim, vi e votei".

Esses problemas partem do pressuposto que cada comitê é único e irrepetível. É muito difícil você reunir as mesmas 20 pessoas de um comitê em mais de uma ocasião, quem dirá 40, e pra outra simulação. Simplesmente não acontece. Então o que vai acontecer é ter gente escaldada, e gente nova. É preciso lidar com essa interação. Mas a interação em si não é o problema, ao menso não tão grande qto o citado nos parágrafos anteriores.

Thomaz já tinha sugerido algo desse tipo entre modelos, um UNSC que começasse, digamos, no AMUN, depois fosse feito vol.2 na SOI e vol. 3 no UFRGSMUN, como follow-ups. Isso seria interessante, e é uma perspectiva nova na simulação brasileira, acho que vale a pena tentar um pouco mais de brainstorming a respeito. Da mesma forma, a repetição de uma simulação como a UNPO pode, once again, quebrar paradigmas. Vocês que participaram de grandes simulações de gabinete ou grandes comitês (não em tamanho, mas em qualidade), vocês não gostariam de saber o que teria acontecido? Reunir e tentar continuar o bom trabalho?

Nostalgia ou não, creio ser mais um campo promissor na Modelândia nacional, que, segundo dizem, é das mais criativas e eficientes do mundo. Continuemos assim, crescendo, aprendendo e arriscando! Agora, onde deixei minha túnica Denesuline?